domingo, 1 de novembro de 2009

SEMELHANÇAS ENTRE CAMÕES...RENATO RUSSO E MÁRIO DE ANDRADE



OS TRÊS NASCERAM EM ÉPOCAS DIFERENTES ...CAMÕES NACEU NO RENASCIMENTO/CLACISSISMO....RENATO NA ÉPOCA CONTEMPORÂNEA E MÁRIO NO PRÉ-MORDENISMO.....MAS AS SEMELHANÇAS ENTRE ELES ....SÃO NOTÁVEIS....!! ALÉM DE FÍSICAS ...(PROBLEMAS COM A VISÃO)...QUE MORRERAM EM CASA ..VALE A PENA RESSALTAR A INTERTEXTUALIDADE QUE HÁ ENTRE AS OBRAS DELES ..!!!!



LUIZ VAZ DE CAMÕES


trechos da OBRA OS LUSÍADAS

Soneto 11


Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;



É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;



É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.



Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Canto V - O Gigante Adamastor




Uma tempestade ameaça a esquadra de Gama, quando ela se aproxima do Cabo das Tormentas. Eis que uma figura gigantesca, horrenda e ameaçadora surge no ar. É Adamastor, que ameaça os portugueses, dizendo-lhes que o preço de haverem descoberto seu segredo seria alto. Profetiza os naufrágios que ocorreriam em suas águas, e os horrores por que passariam os que àquela terra viriam a ter. Vasco interpela o Gigante, perguntando-lhe quem era. Disse ser ele o Tormentório (Cabo das Tormentas). Muito tempo atrás, apaixonara-se pela bela ninfa [deusa das águas] Tétis, a quem vira um dia sair pela praia em companhia das nereidas (deusas que habitam o mar). Compreendendo que por ser gigante, feio e disforme, não poderia conquistá-la por meios normais, ameaçou a mãe dela (a deusa Dóris) para que essa lhe entregasse a ninfa. Caso isso não se realizasse, ele a tomaria mediante o uso das armas.



Dóris fez com que a bela Tétis lhe aparecesse nua... E ele, desesperado de desejo, começou a beijar-lhe os lindos olhos, a face e os cabelos.



Mas, aos poucos, percebeu, horrorizado, que, na verdade, estava beijando era um penedo [rochedo] e ele próprio se transformara noutro penedo. Aquela Tétis que ele vira era apenas um 'arranjo' artificial que os deuses prepararam para puni-lo por sua audácia.



Desde então deixou de ser um gigante mitológico e passou a cumprir seu castigo transformado num simples acidente geográfico. Continuava, para aumentar o rigor de sua pena, a contemplar, petrificado, a bela Tétis passeando nua pela praia.

A única maneira que encontrava para desabafar o seu desespero e a sua frustração era destruir, com fantásticas tempestades, os navios que por ele tentavam passar.



37. Porém já cinco sóis eram passados

Que dali nos partíramos, cortando

Os mares nunca de outrem navegados,

Prosperamente os ventos assoprando,

Quando uma noite, estando descuidados

Na cortadora proa vigiando,

Uma nuvem, que os ares escurece,

Sobre nossas cabeças aparece.



39. Não acabava, quando uma figura

Se nos mostra no ar, robusta e válida,

De disforme e grandíssima estatura;

O rosto carregado, a barba esquálida,

Os olhos encovados, e a postura

Medonha e má e a cor terrena e pálida;

Cheios de terra e crespos os cabelos,

A boca negra, os dentes amarelos.



40. Tão grande era de membros, que bem posso

Certificar-te que este era o segundo

De Rodes estranhíssimo Colosso,

Que um dos sete milagres foi do mundo.

Co'um tom de voz nos fala, horrendo e grosso,

Que pareceu sair do mar profundo,

Arrepiam-se as carnes e o cabelo,

A mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!



RENATO RUSSO



MONTE CASTELO

composição: RENATO RUSSO

Legião Urbana

Ainda que eu falasse

A língua dos homens

E falasse a língua dos anjos

Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor

Que conhece o que é verdade

O amor é bom, não quer o mal

Não sente inveja

Ou se envaidece...

O amor é o fogo

Que arde sem se ver

É ferida que dói

E não se sente

É um contentamento

Descontente

É dor que desatina sem doer...

Ainda que eu falasse

A língua dos homens

E falasse a língua dos anjos

Sem amor, eu nada seria.

É um não querer


Mais que bem querer

É solitário andar

Por entre a gente

É um não contentar-se

De contente

É cuidar que se ganha

Em se perder...

É um estar-se preso

Por vontade

É servir a quem vence

O vencedor

É um ter com quem nos mata

A lealdade

Tão contrário a si

É o mesmo amor...

Estou acordado

E todos dormem, todos dormem

Todos dormem

Agora vejo em parte

Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor

Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse

A língua dos homens

E falasse a língua dos anjos

Sem amor, eu nada seria...



MÁRIO DE ANDRADE

trecho de MACUNAÍNA


Capítulo V - Piaimã




O herói junta seus irmãos e desce o Araguaia, com sua esquadra de igarités cheias de cacau. Em São Paulo, fica sabendo que Venceslau Pietro Pietra era o gigante Piaimã, comedor de gente, companheiro de uma caapora velha chamada Ceiuci, também antropófaga e muito gulosa. Esse capítulo apresenta uma das passagens mais saborosas do romance: a chegada de Macunaíma e seus irmãos à cidade de São Paulo. Nesse momento, Mário de Andrade inverte os relatos quinhentistas da Literatura Informativa. Aqui é o índio que se depara com a dita “civilização” e procura assimilá-la, digerindo-a com suas próprias enzimas culturais.



Capítulo VI – A francesa e o gigante



Depois de uma tentativa de aproximação frustrada, Macunaíma resolve se vestir de francesa para conquistar Venceslau Pietro Pietra e reconquistar sua muiraquitã. O regatão não emprestou a pedra nem quis vendê-la. Mas deixou claro que poderia dá-la se a francesa resolvesse “brincar” com ele… Muito inquieto, Macunaíma foge, percorrendo, em louca correria, grande parte do território brasileiro.


SEMELHANÇAS LITERÁRIAS


Entre a canção de Renato Russo(Monte Castelo)  e O soneto 11 de Camões:"esse trecho foi tirado da biblia 1CO 13 : 1, 2" Ainda que eu falasse a lingua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como bronze que soa ou como címbalo que retine. Ainda que eu tenha dom da profecia e conheça todos os misterios e toda a ciencia , ainda que eu, tenha tamanha fé , a ponto de transpor montes, se não tiver amor, nada serei" e este outro de Camões"Amor é fogo que arde sem se ver...é ferida que dói e não se sente..é um contentamento descontente....É dor que desatina sem doer;...É um não querer mais que bem querer;...É solitário andar por entre a gente;...É nunca contentar-se de contente....É cuidar que se ganha em se perder;...É querer estar preso por vontade;..É servir a quem vence, o vencedor;..Camões tem um poema que dialoga com Coríntios chamado Soneto 11 que se inicia assim:


"O amor é fogo que arde sem se ver."

A música Monte Castelos do legião urbana é um diálogo entre esses dois textos. A esse diálogo chamamos intertextualidade.


MÁRIO DE ANDRADE E CAMÕES

O canto V ...(episódio que narra a grande tormenta ...figurada por Camões pelo gigante Adamastor ..é muito parecida com o Gigante Camões tem um poema que dialoga com Coríntios chamado Soneto 11 que se inicia assim:


"O amor é fogo que arde sem se ver."

A música Monte Castelos do legião urbana é um diálogo entre esses dois textos. A esse diálogo chamamos intertextualidade.



MÁRIO DE ANDRADE E CAMÕES


O Cápitulo V de Macunaína  e o Canto V de Camões assemelham-se em primeiro na ordem em que se enontram (V) ...e na composição do enredo ....O Gigante Piaimã (em Macunaíma) e O Gigante Adamastor ambos retratam uma figura disforme através representada pelos Gigantes ...que exprimem o medo ...e a superação do mesmo através de heróis ...(em Os Lusíadas o herói é representado pelo povo Português...Em Macunaíma ...o povo Brasilero)..construindo entre as duas obras  a intertextualidade...


CONCLUSÃO : OS LUSÍADAS .DE (CAMÕES).FOI FONTE DE INSPIRAÇÃO E INTERAÇÃO TEXTUAL PARA OS DOIS GÊNIOS LITERÁRIOS (MÁRIO DE ANDRADE E RENATO RUSSO )

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